“Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. ” (At 2, 42).

 

Vamos falar sobre a Liturgia das Horas.

 

Que também os fiéis se costumavam entregar à oração individual em determinadas horas do dia, provam-no igualmente os documentos da primitiva Igreja. Depois foi-se introduzindo muito cedo, aqui e além, o costume de consagrar à oração comunitária alguns tempos especiais, por exemplo, a última hora do dia, ao entardecer, no momento em que se acendiam as luzes, e a primeira hora da manhã, quando, ao despontar o astro do dia, a noite chega ao seu termo.

 

Estas orações, feitas em comunidade, foram-se progressivamente organizando, até que vieram a constituir um ciclo horário bem definido. Esta Liturgia das Horas, ou Ofício Divino, embora enriquecida de leituras, é antes de mais oração de louvor e de súplica: oração da Igreja, com Cristo e a Cristo.

 

A Liturgia das Horas, tal como as demais ações litúrgicas, não é ação privada, mas pertence a todo o corpo da Igreja, manifesta-o e afeta. O caráter eclesial da celebração aparece-nos com toda a sua clareza – e, por isso mesmo, é sumamente recomendável – quando realizada, com a presença do próprio Bispo rodeado dos seus presbíteros e restantes ministros, por uma Igreja particular, «na qual está presente e operante a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica». Esta celebração, quando levada a efeito, mesmo sem a presença do Bispo, por um cabido de cônegos ou por outros presbíteros, far-se-á sempre atendendo à verdade das Horas e, tanto quanto possível, com a participação do povo. O mesmo se diga dos cabidos das colegiadas.

 

Sempre que os fiéis são convocados e se reúnem para celebrar a Liturgia das Horas, pela união das vozes e dos corações manifestam a Igreja que celebra o mistério de Cristo.

 

Convém, finalmente, que a família, qual santuário doméstico da Igreja, não se contente com a oração feita em comum, mas, dentro das suas possibilidades, procure inserir-se mais intimamente na Igreja, com a recitação dalguma parte da Liturgia das Horas.

Como rezar a liturgia das horas?

  1. O invitatório. O invitatório é um convite à oração. “Abri os meus lábios, ó Senhor. E minha boca anunciará vosso louvor”, com o salmo 94. Com esse invitatório os fiéis são convidados cada dia a cantar os louvores de Deus e a escutar sua voz, e são incentivados a desejar o “descanso do Senhor”. O salmo 94 pode ser substituído pelos salmos 99, 66 ou 23. O invitatório mostra que todo o ciclo da oração cotidiana constitui uma experiência pascal.
  2. A oração da manhã. É também chamada louvor Matinal ou Laudes, é o louvor da Igreja pelo mistério de Cristo, sobretudo de seu aspecto glorioso: a Ressurreição. O sol que desponta dando forma e beleza a todas as coisas, o levantar-se, o reiniciar dos trabalhos, o alimento são símbolos da vida e ponto de partida para o louvor de Deus. Cada louvor matinal constitui uma pequena celebração da Ressurreição de Cristo e da nossa ressurreição com Ele. A oração da manhã se destina e se ordena à santificação do período da manhã. Essa hora é celebrada ao chegar à luz do novo dia e evoca a ressurreição de Jesus que é a luz verdadeira que ilumina todo homem (Jo 1, 9) é o sol da justiça (Ml 3, 20) nascendo do alto (Lc 1, 78).

O hino costuma ser um hino matinal. Fala da luz do sol, do dia, do tempo concedido ao homem para servir e dar glória a Deus, o Senhor do tempo.

A salmodia tem um caráter de louvor pela criação do mundo e do homem e pela nova criação em Cristo Jesus. O primeiro salmo faz sempre referência à luz, ao despontar do novo dia, como expressão da obra criadora de Deus por Jesus Cristo.

Os cânticos são expressões de experiências pascais vividas na história de um povo, ou diante da obra de Cristo Redentor. O terceiro elemento da salmodia um salmo de louvor, um convite ao louvor pelo dom de um novo dia, e que é dado à Igreja viver o mistério de Cristo.

As antífonas que emolduram os salmos e cânticos realçam o caráter matutino e pascal da hora, bem como o mistério celebrado.

A leitura breve da Oração da manhã constitui um verdadeiro programa de vida para o dia que inicia em Cristo ressuscitado. A leitura muda de acordo com o dia, o tempo ou a festa.

O cântico evangélico é o ponto alto da celebração. Ele expressa o louvor e a ação de graças pela Redenção, sendo um texto do Evangelho é proclamado de pé e com o sinal da cruz.

As preces da oração da manhã são chamadas invocações para recomendar ou consagrar o dia ao Senhor. Serão também de louvor a Deus, de confissão de sua glória e lembrança da história da Salvação.

O Pai-nosso toda a Oração é resumida e completada pelo Pai nosso, em que se expressa a vocação do homem no seu relacionamento com Deus como filho, sua relação com o mundo criado, sustentado pelo alimento de cada dia e em sua relação com o próximo, a quem ele deve perdoar como o Pai do céu perdoa.

 

Fernanda de Almeida